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Qual a maior obra de Leonardo Da Vinci?

Monalisa
A Santa Ceia
Perspactiva na Pintura
O Homem Vitruviano
Madona das Rochas



 
 

Pinturas da dÉcada de 1480
* iNÍCIO DO PERÍODO DO CONTROLE ANATÔMICO

Na década de 1480 recebeu três importantes ecomendas e começou outro trabalho ainda, cujo tema abriu uma rotura em termos de composição. Infelizmente, dois desses três trabalhos nunca foram acabados (devido sua partida para Milão) e o terceiro mesmo sendo feito conforme as exigências da confraria milanesa que o encomendou, foi desprezado. Em 1495, inicia uma cópia baseada no mesmo tema (esta aceita por esta confraria), mas este trabalho demorou tanto tempo para terminar, que somente foi assinado depois das negociações e do devido pagamento; mesmo assim, não foi em vão, sendo que é hoje o terceiro mais importante e conhecido trabalho de Da Vinci.

São Jerônimo no DesertoUma destas pinturas é São Jerónimo no deserto. No entanto, a obra é apenas um esboço num tema e numa composição pouco usuais na época. São Jerónimo, como penitente, ocupa com a sua figura o centro da pintura, sentado, visto na diagonal linear. Da Vinci serviu-se de um modelo de madeira e pano para conceber a figura do santo, como se fazia na altura. Para o poder pintar nesta posição, a cabeça de Leonardo colocava-se à mesma altura que o meio da tíbia do modelo, pintando-o na diagonal, mais ou menos desde a ponta da cauda do leão. A sua forma, com inclusão do braço direito e da cabeça, assemelha-se à de um trapézio, e o seu olhar está perfeitamente oposto ao do espectador e do próprio pintor; São Jerónimo olha, de forma subserviente, para algo fora da pintura. Em frente ao santo homem, um leão deitado cuja forma do corpo juntamente com a cauda formam duas espirais na base da pintura. Outro particular de interesse é a paisagem inacabada, no fundo da obra, de rochas e escarpas.

Outra composição um tanto quanto atrevida, os elementos paisagísticos e o drama pesoal ressoam na obra de arte inacabada: A Adoração dos Magos, encomenda dos monges de San Donato a Scopeto. É uma composição muito complexa sobre cerca de 250cm de largura e comprimento de uma placa de madeira. Para este trabalho o artista esboçou vários desenhos e numerosos trabalhos e estudos preparatórios, incluindo um detalhe de uma perspectiva linear das ruínas de um edifício clássico.

* Estada em Milão (1482-1498)

Mas em 1482, Leonardo foi convidado para trabalhar para a corte milanesa em tributo a Ludovico il Moro (Ludovico Sforza), e a pintura e todo o trabalho que havia tido foi abandonada. Na verdade da Vinci viajou influênciado por Lorenzo de médici (o magnífico); este tinha em mente a difusão da arte florentina por toda a Itália, seu plano, transformar Florença em um centro cultural.

Entre 1487 e 1490 Leonardo assume uma posição de destaque na corte milanesa. O seu trabalho não se resumia a pintar, mas também a organizar festividades e trabalhou vários anos na realização da estátua de Francesco Sforza, que nunca concluiu.

Dama com Arminho -  1485 Entre as suas obras acabadas ocupa uma posição de destaque uma pintura de uma senhora da aristocracia, que segura nas mãos um arminho. Em 1485, Leonardo inicia Dama com arminho, retrato provável de Cecilia Gallerani. A pintura é sem dúvida uma obra-prima. A jovem olha para algo fora da pintura com interesse, embora permaneça serena. O arminho repete-lhe o movimento, cuja mão curvada elegantemente corresponde, por sua vez, ao movimento do animal, criando um sintonia entre a modelo e o arminho.

De facto, a linguagem icónica utilizada por Leonardo nesta obra, fez com que permanecessem vários mistérios em relação ao simbolismo do arminho. Uns preferem acreditar que o arminho é uma alusão ao apelido da jovem aristocrata, visto que o som de «Gallerani» é reminescente da acepção grega para arminho, «galée». Noutra vertente, o pequeno animal é considerado um sinal de pureza e modéstia, mas caso o signifique, modéstia não será de certeza, já que não é uma característica de uma cortesã.

Porém, a razão mais provável é a terceira, ou seja, a alusão a Ludovico Sforza. E porquê tal simbolismo? A modelo era a amante de eleição de Ludovico e, a partir de meados de 1480, este começou a usar o arminho como um dos seus emblemas. Assim Ludovico, sob a simbólica forma de animal, surge no regaço da jovem, bem penteado e acariciado pelas mãos da sua amante.

Existem provas documentais de que o quadro pertenceu à retratada. Pouco tempo depois da pintura deste retrato de corte, o seu amante desposou Beatriz d'Este.

Segundo pesquisadores, Cecilia Gallerani também teria posado para o quadro La Belle Ferronière, e ainda, seria ela a Mona Lisa; mas tais fatos nunca foram provados.

Nesse período as pinturas de Da Vinci revelam um conhecimento e uma desenvoltura excepcionais na sua vertente anatómica, resultado dos seus imensos e incansáveis estudos no âmbito assunto e, por isso torna-se mestre nessa ciência.

O terceiro trabalho mais bem sucedido, surpreendentemente é uma das suas principais pinturas, foi encomendado em Milão por uma Confraria religiosa, intitulada Imaculada Concepção, para abrilhantar um altar, sendo a peça central do tríptico da igreja de São Francisco, sustentada por esta instituição religiosa e provavelmente construída por Beatriz d'Este. As outras duas pinturas do tríptico foram feitas pelos irmãos Ambrogio e Evangelista de Predis.

Madona das RochasLeonardo escolheu pintar um enfático momento da infância de Cristo quando o pequeno João Baptista, com a proteção de o anjo Uriel, conheceu a Sagrada Família numa gruta do Egipto (Egito), cena aceita pela tradição cristã mesmo não constando na bíblia. Na cena João Baptista reconhece Jesus como sendo o Cristo, mesmo sendo os dois tão jovens. A posição da figura de João na composição é mais abaixo que a de Jesus. No entanto, em vez de Jesus conceder a bênção a João, é João quem a concede a Jesus. Algo que escandalizou os monges. A própria mão de Maria, posta sobre o ombro do pequeno Jesus, assemelha-se a uma garra de condor.

O detalhe mais atormentador da obra pode ser facilmente visualizado: a mão de Maria semelhante a uma garra, parece segurar uma cabeça invisível, logo cortada pela mão de Uriel, que aponta para Jesus.

A pintura solenemente declara a riqueza do conhecimento estilístico do traje e da sua representação, a julgar pela concepção notável do vestuário de Uriel, impressa numa figura sóbria e imponente, que perde lugar na segunda versão onde assume outra pose, desta feita, simplista e menos detalhada.

Existem duas versões oficiais e uma de que se discute a autoria. A primeira, maior, mais complexa e pautada pela falta de sintonia entre os elementos, de nome Madona das Rochas. A segunda, a verdadeira obra-prima intemporal, com uma composição mais madura e cuja manifestação do chiaroscuro está em perfeita harmonia. A Virgem das Rochas, essa, sim, feita conforme a exigência da Confraria da Imaculada Conceição, é hoje o terceiro mais famoso e aclamado trabalho do génio intemporal de Leonardo da Vinci.

* A Virgem das Rochas (1495-1508)

Detalhe de Madona das RochasA Virgem das rochas (ou dos rochedos), retrata a Virgem Maria ajoelhada, com um manto azul, parecendo este ser feito de veludo, cuja parte interna parece ser composta de seda, de cor amarela que, ao refletir a luz, se torna dourada. Devido a composição do manto, ou seja dois tecidos, causa a sensação de peso que, por sua vez, inclina a postura de Maria; a diferença de ambos os tecidos causa ao observador um efeito surpreendente e elegante, sem exceção da mantilha transparente quase invisível, que parece desaparecer nos seus cabelos castanhos, cujas pinceladas dão a sensação de estarem molhados.

Não é adimirável o facto de ser este o terceiro mais importante quadro de Leonardo, pois o artista aprendera a transmitir com total maestria as sensações (enfado, tristeza, felicidade, provocação, etc) nas suas obras, resultado do intenso treino da representação anatómica. A sensação de distância, que representava facilmente através de formas esbatidas, devido a falta de nitidez em relação à paisagem longínqua e a adição do pigmento azul. Com a distância, algo principalmente visível em paisagens montanhosas, os objectos observados perdem a nitidez e tornam-se gradualmente azulados.

Na composição Jesus está na frente da Virgem, no centro, para ser adorado. Encontra-se nú, de modo a demonstrar a pureza da criança. A seu lado está João Batista, com o estandarte da evangelização em Cristo. A Virgem parece empurrá-lo para junto de Jesus para ser abençoado por este. O anjo Uriel parece proteger o Menino, pois, logo à frente localiza-se um abismo. Ao seu lado, com uma das mãos nas suas costas segurando-o firmemente e outra repousando sobre seu próprio joelho, observando João Batista, o seu protegido. A Virgem Maria, tanto aparenta abençoar seu filho, quanto receber a benção dele.

A paisagem escura parece estar se abrindo vagarosamente deixando a luz iluminá-la, parecendo trazer calor para um local, aparentemente, dominado pela humidade (umidade) das águas. São visíveis plantas aquáticas e terrestres, ambas dominadas pelo castanho da terra, a não ser pelas flores, com cores que parecem transmitir a tranqüilidade em uma paisagem dominada pela erosão.

Apesar das avantajadas medidas, cerca de 200 por 120 cm (a segunda cerca de 190 por 120 cm), ambas as pinturas da Senhora nas Pedras não são tão complexas quanto a encomenda dos monges de São Donato, constando em cena somente quatro figuras - cuja forma conjunta completa uma pirâmide triangular - numa paisagem rochosa onde constam muitos detalhes arquitecturais. Eventualmente, a pintura foi acabada. De facto, duas versões desta pintura foram feitas, uma entregue a Confraria religiosa e a outra levada para a França pelo próprio Leonardo (onde provavelmente foi vendida a algum cortesão francês).

A que se encontra em exposição nas paredes do Museu do Louvre, em Paris, foi levada para a França pelo próprio Leonardo, quando este, a convite do rei, se instalou na mansão (ou castelo) de Clos Lucé, perto da residência majestosa de Amboise; a que faz parte da National Gallery de Londres, foi anteriormente propriedade de um rico burguês (a pintura fora roubada da Confraria séculos depois de ser concluída, pelas tropas de Napoleão, sendo depois de muitas décadas encontrada em uma pequena cidade da Áustria, antes de pertencer a este comerciante).

A suposta terceira versão de Madona das rochas, não é declarada ainda como pintura de Leonardo, devido à falta de fatos concretos. Segundo historiadores e críticos, não haviam motivos históricos para que Leonardo, pintasse pela terceira vez o mesmo tema, pois, a Confraria religiosa contentara-se com A Virgem das Rochas (segunda versão de Madona das Rochas), mas não é possível descartar tal hipótese.

fonte: Wikipédia/2008                                                                                                             :: topo